É interessante a forma como é tratada a seleção brasileira. Uma derrota, ou jogo ruim, e a seleção tem todos os defeitos do mundo. Basta uma vitória com futebol majoritário para a Canarinha voltar a ser a maioral. Penso que a maneira de fazer análises deveria ser mais equilibrada. A magra vitória sobre a Coreia do Norte não se tratou de um vexame, pelo modo como jogou o adversário, embora tenha se esperado muito mais; tampouco foi o 3-1 sobre Costa do Marfim um divisor de águas na Era Dunga.
Hoje, foi exigido outro estilo de jogo do Brasil e que, por este ponto, tornou a partida mais fácil que a estreia. A Costa do Marfim marcou postada num 4-3-2-1, com uma linha fixa de 4 defensores, 3 meio-campistas centralizados – com Yaya Touré mais recuado, 2 pontas que pressionavam as saídas pelas laterais e o centro-avante, Drogba. Com Maicon e Michel Bastos sob marcação, a saída de bola se dava principalmente pelo meio. Uma estratégia do time africano, já que Gilberto Silva e Felipe Melo – em especial este último – costumam errar passes. Nos primeiros 20 minutos, o camisa 5 oscilou entre passes equivocados e descontroles de bola que acabavam em desarmes do adversário, possibilitando que a Costa do Marfim tivesse o controle do jogo. Quando o passe chegava à frente, Kaká também não acertava – errou 3 passes e foi desarmado 2 vezes, no início do jogo. Entretanto, para sorte do time de Dunga, a Costa do Marfim não sabia como acionar seu principal jogador, Drogba. Faltava a exploração pelo setor direito, onde Michel Bastos deixava espaços, mas Dindane não chamava a responsabilidade – uma troca de posições com Kalou, que sofria com a marcação de Maicon, pela esquerda, seria inteligente.
Só mesmo um golo fez com que o jogo mudasse. Triangulação entre Robinho, Luís Fabiano e Kaká contra sete marfinenses e este último, que não fazia boa partida, foi decisivo, deixando Luís Fabiano na cara do gol: o matador foi letal. O primeiro tempo se encerrou com movimentação regular e boa troca de passes do ataque brasileiro, enquanto Costa do Marfim, sem criatividade, apenas arrematava de longe.
Na segunda etapa, o Brasil apresentou futebol parecido com o da segunda metade do primeiro tempo, mas com melhor exibição individual de alguns atletas, como Kaká, Felipe Melo e Elano, que passaram a errar muito menos. Aos 6, gol antológico de Luís Fabiano, que deu dois chapeus, ajeitou com o braço e mandou o canudo com a perna esquerda. No posicionamento, Robinho vinha muito para o meio, ocupando o espaço que deveria ser de Kaká, que, por sua vez, caía pro lado de Elano ou ficava junto demais do atacante do Santos. Faltava alguém do lado esquerdo. E foi quando Kaká foi para este setor e fez boa jogada que saiu mais um gol brasileiro: Elano marca.
Após o placar de 3-0, os africanos passaram a apelar para o jogo violento. Com isso, o Brasil perdeu Elano, contundido após forte entrada na canela. Minutos depois, Drogba diminuiu a contagem para 3-1, em jogada aérea que, pra mim, tinha Felipe Melo como maior responsável pela marcação. Michel Bastos, que também estava no lance, era o único que poderia cobrir um adversário que encostava na quina da área. Ainda deu tempo para Kaká, irritadíssimo com as contínuas faltas sobre ele, perder a cabeça e entrar na onda marfinense, agredindo Keita e recebendo o segundo amarelo.
No fim, vitória que credencia o Brasil às Oitavas-de-finais, apesar de falhas crônicas na saída de bola e marcação no setor esquerdo, além de muitos erros de passe no meio-campo e, em alguns momentos, falta de movimentação dos meias e atacantes. Um fato positivo a se levantar: a seleção marcou 3 gols quando tinha a posse de bola no campo de ataque, não marcando só em contra-golpe, principal arma da equipe, assim como a bola parada.
Abaixo, as notas individuais de cada atleta e um breve comentário.
Júlio César – 6,0 – Fez boa defesa em cruzamento que procurava Drogba e mostrou segurança.
Maicon – 5,5 – Pouco participativo. Defendeu bem, mas faltou subir mais ao ataque, especialmente depois da entrada de Daniel Alves.
Lúcio – 7,0 – Seguro, venceu Drogba na maioria das jogadas.
Juan – 7,5 – Muitos cortes providenciais de carrinho.
Michel Bastos – 5,0 – Apesar de fraco na marcação, não comprometeu. Na frente, pouco fez.
Felipe Melo – 7,0 – Errou passes na saída de bola nos minutos iniciais, mas depois melhorou. Foi um dos que mais desarmou e começou a não se equivocar ao passar a bola.
Gilberto Silva – 6,5 – Bons lançamentos laterais e segurança na marcação.
Elano – 6,5 – Do mesmo jeito que começou a Copa, sendo o atleta que mais errou passes na seleção brasileira, começo o jogo de hoje. Mas melhorou. Deu técnica ao meio-campo e também fez gol.
Kaká – 7,5 – Também foi vítima do apagão do início do jogo. Errou passes e foi desarmado. Mas deu duas assistências e quase marca o seu.
Robinho – 5,5 – Participou da triangulação que levou ao primeiro gol, mas não apareceu com eficiência no ataque. Teve bom passe, mas faltou jogadas laterais e de velocidade. Posicionou-se muito centralizado.
Luís Fabiano – 8,0 – Dois gols, um deles histórico. Apesar da ajeitada com a mão, a pintura foi divina.
Daniel Alves – 6,0 - Articulou boas jogadas pela direita.
Ramires – sem nota.

A escala vai de 0 a 8, né?
ResponderExcluirCaro Anônimo.
ResponderExcluirPra mim, 10,0 é uma exibição perfeita, sem erros - ou que a capacidade de decisão seja tamanha que supere erros mínimos. Logicamente, quase impossível de se atingir. Neste sentido, a nota 6,0 já caracteriza uma boa partida.
Na sua opinião, alguém mereceu 10,0? De quais notas você discordou?