quinta-feira, 17 de junho de 2010

Sopa para o azar




Dizem que a seleção jogou terça-feira... mas, na verdade, entrou em campo na quarta! Se era necessário passar uma borracha na má impressão deixada no jogo contra o Ceará, dessa vez, o Galo superou as expectativas e fez uma das melhores exibições do ano. Por falha individual de apenas um, não aplicamos uma sonora goleada no time pernambucano, que demonstrou fraqueza defensiva diante do estilo de jogo adotado pelo Treze. Demos sopa para o azar nesse aspecto: quando poderíamos comemorar uma goleada, fica o sentimento até de injustiça por ter tomado três gols de um time muito inferior ao nosso.

Assim como jogou contra o Sergipe, Vilar adotou o esquema 4-2-2-2 (o mesmo do adversário da noite), com variações na saída de bola: Miltinho, muitas vezes vindo à frente da linha da zaga para receber, forçava um losango no meio-campo, confundindo e dificultando a marcação alvirubra. Sem marcação páreo para saída de bola, o Galo chegava fácil ao ataque. Bastava trabalhar a bola para acionar Cléo – que se movimentou e se posicionou bem – e Da Silva, que jogou centralizado.  O time demonstrou senhoria na marcação, deixando o Náutico finalizar poucas vezes, além de mandar no meio-de-campo e infernizar a vida do goleiro Rodrigo Dantas, o melhor jogador do Náutico nesta noite.

E a boa movimentação de Cléo logo rendeu bons frutos: foi dele o cruzamento que o goleiro pernambucano soltou para Rone Dias, com frieza, mandar no canto e abrir o placar no Amigão – 1-0. Aos 12 minutos, o goleiro do Timbu faz pênalti clamoroso em Tiago Messias – aliás, é incrível como a bola só procura o nosso camisa 3, no jogo aéreo. Pio faz 2-0. O Galo era só ataque, enquanto o  Náutico não conseguia trocar passes. Aos 25, Wanderson cobra o tiro de meta, Da Silva Exu, que costuma ganhar bolas alçadas, ganha no alto e toca de cabeça para Cléo, que corre, chega antes do goleiro e faz por cobertura – Golaço do 3-0! No finzinho da primeira etapa, um banho de água fria. Com poucos méritos no lance, o Náutico diminui a vantagem trezeana, após falha de Wanderson. Felizmente, minutos depois, novamente Cléo faz boa jogada pelos flancos, a bola chega em Pio, que arremata de fora da área e faz 4-1.

Na segunda etapa, mérito de Vilar, que posicionou João Paulo de forma mais defensiva. Como é difícil vê-lo voltar para marcar, depois que o time perde a bola no ataque, foi-lhe designado que ficasse como um defensor esquerdo, subindo muito pouco. Aos 6, falha bizarra de Wanderson, que, após bola na área, solta nos pés de Tiago Lima, que diminui. O Galo continuava mandando no jogo; porém, de maneira displicente, já que o placar era confortável. Já próximo do fim, Cléo e Da Silva dão lugar a George e Clóvis Diego, que entram perdidos no jogo. Principalmente George, que quis jogar próximo demais do seu companheiro de ataque, quando deveria chamar o jogo pelas pontas. Nos minutos finais, o susto: a bola é alçada na pequena área, Wanderson não sai e Tiago Lima marca o segundo dele no jogo: 4-3. Felizmente, nada mais de interessante se viu. Placar merecido, porém injusto, pela diferença de qualidades técnica e, principalmente, tática no jogo.

Falta ao time jogar mais pelos flancos. Sabemos da deficiência de material humano nos dois lados, mas até mesmo na saída de bola não podemos abrir mão de suas participações. No ataque, a bola deve chegar neles, para que devolvam-na para o meio, acionando o ataque. O jogo pelo meio, sem inversão de jogadas, deixa o adversário marcando em bloco, com mais peças diminuindo os espaços e dificultando a penetração. Temos meias capazes de assistir com maestria o nosso ataque, mas nem todos os jogos serão assim.

Abaixo, as notas individuais de cada jogador e um breve comentário.

Wanderson – 2,0 – Já não dá mais para esconder. Nosso goleiro, que foi excepcional no Paraibano, está em má fase. O principal ponto fraco é na saída de bola – que vinha sendo o atributo de maior segurança. Fez poucas defesas, falhou nos dois primeiros gols e poderia, no mínimo, ter se saído melhor no terceiro.

Felipe Blau – 5,0 – Seus números são bons em relação ao contexto do jogo, mas falta convertê-los em eficiência para o time. Alguns passes de pouca dificuldade certos, outros errados. Falta ser mais acionado na defesa para ser avaliado, bem como se tem ausência de jogadas de linha de fundo. Creio que ainda não está com o preparo físico ideal.

Tiago Messias – 7,5 – O ataque do Náutico não deu muito trabalho, a não ser nas bolas aéreas, que nem sempre eram em cima dele. Quando ia deixar sua marca, sofreu o pênalti que originou o 2º gol.

Weverson – 7,0 – Vem melhorando a cada jogo. Hoje, além de não comprometer, jogou bem e fez bons desarmes. Recebeu o 3º amarelo e está fora do próximo jogo.

João Paulo – 5,0 – Começou o jogo de forma bizarra, perdido na marcação. No segundo tempo, melhorou e até ajudou na defesa.

Pio – 8,0 – Quase não errou passes, é perigoso na saída de jogo quando conduz a bola com velocidade para o ataque, além de ter convertido dois gols.

Fernando – 7,5 – Após primeiro tempo impecável, iniciou a segunda etapa errando dois passes cruciais, que quase resultam em gol do adversário. Depois, voltou a jogar bem, chutando bem ao gol, passando com qualidade e sendo raçudo na marcação.

Miltinho – 7,0 – Mais de 15 passes e lançamentos certos no jogo, apenas dois errados. Isso explica a dinâmica que ele proporciona ao nosso meio-campo.

Rone Dias – 8,0 – Chamou o jogo para si, driblou, deu passes magistrais, além de fazer um gol, o 1º da partida.

Cléo – 8,0 – Fez um belo gol e deu duas semi-assistências. Pena que continua perdendo gols. Mas sua movimentação foi importante para atrapalhar a defesa do Náutico e abrir espaços pelo meio.

Da Silva – 6,0 – Assistiu Cléo no 3º gol do jogo, deu um belo passe de letra no 1º tempo e marcou dois gols – anulados, é certo, mas que provaram seu faro de gol. Infelizmente, cheirou de forma horripilante uma bola cruzada por Rone Dias.

Rone – sem nota.

George – sem nota.

Clóvis Diego – sem nota.

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